Minha Primeira Maratona

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Artigo: Freire Neto – jornalista

Rio (27/07/2014) – Sonhei, treinei e completei. Agora, sou um maratonista! Há um ano treinando freqüentemente, com poucas pausas e com uma nova rotina de vida, decidi no final de 2013 a fazer uma maratona, no mínimo, por ano a partir de 2014. Treinando e vivendo a experiência de se preparar para os 42 km. E escolhi, fazer a primeira no Rio de Janeiro, cenário da minha primeira Meia Maratona e cercada de emoção e história. Junto com meu treinador, Walter Molina (Natal Runner), tracei metas e estratégias e segui a risca.

Chegamos ao Rio na sexta (25/07). Dois dias antes da prova, para garantir duas boas noites de sono. Desde quarta-feira caprichando no carboidrato e na hidratação, evitando ficar em pé e andar durante muito tempo. Poupando e se reservando para o dia tão esperado.

A entrega dos kits foi realizada no Centro de Convenções Sulamerica, no Centro do Rio. Encontro com amigos corredores de todo o Brasil, trocando ideias e experiências. O jantar de massas foi marcado em um rodízio de massas, em Copacabana, a partir das 18h e por volta das 21h já estava deitado para dormir cedo, já que às 4h da madruga já estaria de pé. Seguimos para o Aterro do Flamengo, chegada da Maratona, e local para embarcar no ônibus da organização para a largada no Recreio dos Bandeirantes.

O embarque foi realizado por volta das 5h15 e a viagem durou cerca de 1h30 em ônibus normal de linha – sem luxo ou conforto. Concentração total, montando e remontando a estratégia de hidratação, ritmo, suplementação. Apesar de alguns corredores não pararem de falar. Tinha um paulista que parecia “o homem da cobra”, como a gente diz aqui no Nordeste, para quem fala sem parar. Durante todo o percurso, falou de duas pessoas: Deus e o mundo. E em todas as técnicas e macetes possíveis e imagináveis para se dar bem numa corrida. Enfim, chegamos ao Recreio dos Bandeirantes.

O dia estava frio com uma pequena garoa e temperatura por volta dos 18 graus Celsius. Atletas de todo o mundo marcaram presença na prova que contou com mais de 24 mil inscritos na Maratona, Meia Maratona e nos 6km. Por volta das 7h30 foi dada a largada dos 42km com uma fina chuva e algumas poças na pista. Elite, Elite Vip e depois masculino geral.
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Do Recreio até a Barra foram cerca de 10 km, seguindo até o elevado do Joá, onde os maratonistas chegaram a marca dos 22km. Na primeira metade da prova, decidi ser conservador para evitar problemas ou forçar a musculatura, como havia conversado com Molina e meu amigo/corredor/parceiro, Allan Carlos. A prova até o Joá é inteiramente plana. Ao chegar na praia de São Conrado, mais uma reta até voltar a subir dessa vez por quase 3 km pela Avenida Niemeyer, da metade do 26 até o km 29. A subida tem algumas curvas e uma paisagem fantástica com a baía e as ilhas cariocas do lado direito e a comunidade do Vidigal do lado esquerdo. Durante todo o percurso você é ultrapassado e ultrapassa muita gente.

Nessa maior subida da prova, muitos competidores desistem ou andam. Além do desgaste físico, a maratona exige muita força mental. É fundamental estar forte psicologicamente para lhe dar com as dificuldades e obstáculos de uma corrida tão longa e cheia de possibilidades: chuva, frio, subida, sensações e sinais do corpo, medos e traumas. Tinha treinado. Estava preparado e muito forte mentalmente. Sabia que só pararia no pórtico de chegada.

Mesmo bastante conservador e correndo com muita cautela, sem forçar ou exagerar, as dores nas pernas começaram a aumentar a partir do quilômetro 30, chegando ao Leblon e seguindo rumo a Ipanema. Após descer e seguir para a parte final da prova, quando planejava apertar o passo e iniciar o processo de aceleração, vieram as cãibras. Entre o quilômetro 31 e o 32, as duas coxas ficaram pesadas e duras, alternando com a panturrilha. Trotei, andei e parei para tentar alongar e diminuir as dores. E parecia não ter jeito.

“Treinei tanto, me dediquei tanto, não vai ser agora que minha prova irá terminar”, pensava comigo mesmo. Rezava. Orava. Cantava. Todas as músicas e cantos possíveis para seguir em frente. Voltei a andar, me hidratar, trotar e mesmo com dores e muitas dificuldades voltei a correr num ritmo bem acima do meu planejado. “Falta pouco, guerreiro”. “São menos de 10km”. “Não desista!”. Pessoas de todas as idades e nacionalidades paravam para bater palmas, incentivar e mandar forças para corredores que nunca viram na vida. Chorar e buscar forças no fundo. Olhar pro céu e pensar em todos e tudo o que nos faz bem e mais forte. E continuar. O Guerreiro só para morto ou inválido.

Agora, o objetivo não tinha mais nada a ver com tempo, mas sim no desejo de finalizar aquilo que comecei e completar pela primeira vez os meus 42km da Maratona do Rio. Pelas avenidas, muitos atletas parados, machucados e desistindo. Mas quem me conhece, sabe, eu só desistiria morto ou impossibilitado de continuar sozinho.

As cãibras iam e vinham o tempo todo. Meu último gel de carboidrato eu consumi no km 34! Chegando a Copacabana, a organização ofereceu banana e tangerina aos competidores, numa prova que teve uma quantidade excelente de postos de água mineral e isotonicos. Fôlego e disposição não faltavam, mas as contrações involuntárias de todos os músculos das pernas, até em locais que nem sabia existir eram arrebatadoras.

Durante todo o percurso mesmo com o frio e a chuva, muitas pessoas batiam palma e incentivava os atletas a concluírem e continuarem a prova. No quilômetro 36, as dores nas coxas estavam insuportáveis e parei novamente. Alonguei, estiquei as pernas e um competidor amador, me pegou pelo braço e disse: “Vamos companheiro. Não pare que é pior. Siga em frente, natalense (fazendo alusão a caminha que vestia – NATAL RUNNER). Bora guerreiro”!
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E eu fui. Lembrava do meu pai, da minha esposa e dos meus filhos, e pedia a Deus forças para seguir em frente até o final. A chuva apertou, mais pessoas paradas. E reclamavam. O tempo, sub 4h, já ficou para outra maratona ou 2015 no mesmo percurso e na mesma Cidade Maravilhosa; o mais importante para mim naquele instante era cruzar o pórtico de chegada, encontrar meus amigos e parceiros da Natal Runner e Correr Entre Amigos e receber a medalha para os meus filhos. Chegando ao Hotel Windsor no Leme, pega-se a via para esquerda em direção a Botafogo, dois túneis, até seguir pela Glória e correr até a arena da Maratona no Aterro do Flamengo. Mas cenas duras e de desgaste e sofrimento, atletas caindo e reclamando de dor, o frio e a chuva apertaram ainda mais. Foram os 4 quilômetros mais duros e pesados dos 42! Um espectador tocava sua flauta, inspirando os corredores. Mais treinadores e atletas mandavam palavras de incentivo e de apoio.

O filme da sua vida, dos seus treinos e de tudo o que você sofreu até aquele momento volta claramente a sua mente e a sua frente. E o pensamento é chegar e rever os seus amigos. O choro faz parte e as lágrimas são impossíveis de controlar. Não foi como planejei e desejei, mas terminei e agora sou maratonista. Por que eu corro? Porque me sinto bem, melhor e forte. Porque sou exemplo para os meus filhos e busco saúde, qualidade de vida e forças pra lutar no dia a dia. Louco? Sem noção? Inconseqüente? Quem nunca sentiu o prazer de passar mais de uma hora correndo ou usufruiu dos prazeres e benefícios dessa vida de corredor, nunca entenderá, nem tampouco aprenderá. Criticar ou falar mal, é mais fácil. Mas quem deseja o seu bem e se sente bem pelo prazer e alegria do próximo, vibra e comemora junto.
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Um dia há alguns anos acordei sedentário e muito doente, quase na iminência de usar remédio controlado, iniciei uma rotina esportiva, corro, nado e jogo tênis e nesse domingo 27 de julho de 2014 durmo maratonista. Agora, buscar o motivos pela “quebra” e fazer melhor para evoluir e baixar o tempo, estabelecendo metas e decidindo quais provas correr. Vem pra corrida. Bora correr! Mexa-se e faça o que te faz bem. Agora, curtir e descansar as pernas. Obrigado meus amigos, minha família e minhas inspirações: Minha mãe, Mag Sodre; minha esposa, Sandra Melo; e meus filhos Laura dos Anjos e Davi dos Anjos. Sem vocês nada disso seria possível. E aos amigos e a “família” Natal Runner. Ao meu amigo/irmão, Walter Molina, que sempre acreditou e me ajudou. Valeu coach. Os treinos continuam e só se pode melhorar o que se conseguiu fazer e completar. Valeu Alessandro Imperial, Gilsinho Guedes, Fábio Alcântara pelo apoio e abraço final, e pela companhia no Rio. E a todos os runners que estavam lá até o fim. E aos amigos Corredores de FDS, que mesmo distante vibraram e emanaram energias positivas. #TAMOJUNTO. Vamoooooooooooooo! Em 2015 tem mais. Nunca duvide de um guerreiro. E sempre, eu digo sempre. Faça do limão, uma limonada e aprenda com as quebras e erros e somos eterno aprendizes. Amém.

3 thoughts on “Minha Primeira Maratona

  1. Leonardo disse:

    Olá, boa tarde!
    Parabéns pela conquista.
    Irei para minha primeira maratona em Maio (acabei de decidir, esta semana). Já corri 1 meia maratona e irei correr mais duas antes da sonhada prova.
    Quanto tempo levou a sua preparação para a Maratona? Qual suplementação você usou na prova?

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